
Preços sustentam varejo, mas consumo recua em maio
O desempenho do varejo alimentar em maio reforçou um cenário de crescimento nominal com perda de consumo. Nas mesmas lojas, o faturamento avançou 1,6% em relação a maio de 2025, sustentado pelo aumento de +4,5% no preço médio, enquanto as unidades vendidas recuaram -2,8%.
O volume caiu 1,8% no mês, embora permaneça estável no acumulado de janeiro a maio. O fluxo em loja também diminuiu 2,7%, indicando menor frequência de visitas aos pontos de venda.
Mesmo comprando menos vezes, o consumidor aumentou levemente as unidades por ticket, em +0,3%, e buscou embalagens maiores, com avanço de +1% no tamanho médio. O movimento revela um shopper mais cauteloso, que concentra compras e procura maior eficiência no gasto.
Perecíveis, Mercearia e Copa impulsionam as vendas
Perecíveis e Mercearia foram as principais contribuições para o crescimento do faturamento, apesar da retração das unidades vendidas. Os destaques do mês foram:
- Legumes: +20,3% em faturamento;
- Bovinos in natura: +12,9%;
- Iogurtes: +9,9%;
- Queijos: +7,9%;
A cesta de Bazar apresentou o maior avanço proporcional, com alta de 11,2% em valor e de +10% em unidades, impulsionada por produtos ligados à Copa do Mundo de 2026, como jogos e figurinhas que cresceram sete vezes em unidades no mês de maio.
O movimento antecipa oportunidades para o período da competição. Os dados indicam aumento de 8,3% no fluxo das lojas nos dias anteriores aos jogos e potencial de crescimento de 8,6% nas vendas caso o Brasil chegue à final.
Mercearia Básica permanece como principal queda
A Mercearia Básica recuou 8,6% em faturamento, pressionada tanto pela redução de -5,4% nas unidades quanto pela queda de -3,5% no preço médio.
As principais retrações vieram de produtos relevantes para a cesta:
- Leite UHT: −28,6% em faturamento;
- Açúcar: −20,9%;
- Arroz: −6,1%;
- Café: −14,1% no preço por quilo;
Na direção oposta, o feijão cresceu 9,7% em valor e acumula mais de seis meses de aumento de preço.
Frio reduz consumo de bebidas
A temperatura média de maio ficou 4,6% abaixo da registrada no mesmo período de 2025. O clima mais frio reduziu a incidência de categorias ligadas ao calor e pressionou a cesta de Bebidas.
O faturamento teve leve crescimento, sustentado pelo aumento de +7,5% no preço médio. As unidades vendidas caíram -6,1%.
Entre os principais movimentos:
- Energéticos: +27,5% em valor e +20,8% em unidades;
- Água: +8,4% em valor e +25,5% em unidades;
- Refrigerantes: +3,3% em valor e −2,9% em unidades;
- Cerveja: −3,4% em valor e −13,5% em unidades;
Dia das Mães cresce com maior pressão de preços
A cesta ligada ao Dia das Mães cresceu 4,6% em faturamento em relação a 2025. O resultado, no entanto, foi acompanhado por aumento de 6,6% no preço médio e queda de 1,9% nas unidades.
Kit capilar avançou 16,5% em valor, bovino in natura cresceu 15,4% e refrigerante subiu 5,4%. Em unidades, cerveja caiu 12,7% e acessórios de cozinha perderam -3,3%.
Canal Perfumaria enfrenta um cenário mais desafiador
Nas lojas especializadas, o canal Perfumaria caiu 6,5% em faturamento e 15,8% em unidades. O preço médio avançou 11,7%.
As principais retrações foram:
- Eletroportáteis: −18,6%;
- Cosméticos: −12,5%;
- Cuidados com a pele: −12,5%;
- Maquiagem para a boca: −31,2%;
- Maquiagem para o rosto: −13,8%;
Cuidado do Cabelo, que representa 53,6% das vendas do canal, recuou 2,3% em valor e 13,2% em unidades.
Entre os resultados positivos, água oxigenada cresceu 11,7%, antisséptico bucal avançou 6,4% e coloração subiu 6,2%. Descolorantes, categoria relacionada à água oxigenada, cresceram 5,6%.
Todos os formatos de loja perdem unidades, mas avançam promoções
O Atacarejo ficou praticamente estável, com pequeno avanço no faturamento e retração de -3,4% nas unidades. O canal também registrou o menor aumento de preço, de +3,5%, contra variações entre +4,7% e +6,2% nos supermercados.
Mesmo o Atacarejo operando com o menor nível médio de desconto, ele apresentou a melhor resposta, com crescimento de +5,9 pontos percentuais nas vendas incrementais.
O que mostra, que a ampliação de descontos não garante aumento proporcional nas vendas.
Centro-Oeste lidera crescimento regional
O Centro-Oeste teve o melhor desempenho regional, com alta de 3,6% no faturamento e queda de apenas 0,4% nas unidades, a menor retração do país.
São Paulo avançou 2,5%, o Nordeste cresceu 1,5%, o Sul teve alta de 1,4% e o Norte ficou praticamente estável, com crescimento de 0,2%.
Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo formaram a única região com queda no faturamento, de 0,5%, puxada pela retração de 4,4% nas unidades.
Acompanhe os movimentos que estão transformando o varejo. Acesse aqui a comunidade do Radar Scanntech, e baixe o arquivo direto no Whatsapp do seu celular, você encontrará análises sobre consumo, preços, promoções, estoque, shopper e desempenho das principais categorias do mercado.

Assessoria de imprensa
Atendemos os jornalistas através do e-mail: scanntech@loures.com.br ou telefone: (11) 96931-5418


